As histórias que contamos criam nossa realidade

“As histórias que contamos uns aos outros nos levam às ações que tomamos.” - Seth Godin.

Tem um pedacinho da Espanha em território africano fortemente murado para impedir que as pessoas que estão no Marrocos cheguem à “Europa” por terra.

Existe toda uma comunidade de milhares de norte-coreanos que vivem em Tokyo, no Japão, como se estivessem na Coréia do Norte, falando sua língua, frequentando sua própria escola, vivendo sua cultura e venerando seu ditador.

Com as mudanças climáticas e o degelo do Pólo Norte, novas terras passam a se tornar habitáveis, mares passam a ser navegáveis e o ser humano começa uma corrida pela exploração econômica de uma terra que, até então, era de ninguém.

Eu não sabia nada disso até devorar a série de vídeos da Vox chamada Borders (Fronteiras), no Youtube.

A série é cheia de pequenos e ricos episódios. Alguns tem legenda, outros não.

Borders me ajuda a perceber o quão grande é o mundo, quão ignorante eu sou e quão capaz nós somos de criar histórias que mudam a vida de bilhões.

Fronteiras são histórias que contamos pra nós mesmos. Por que não existem fronteiras reais num mundo redondo.

Governos desenharam e nós vivemos dentro dessas linhas imaginárias. Por conta delas, pessoas compram e vendem, fazem guerra, arriscam vidas, morrem.

Assim como fronteiras, existem outras tantas abstrações não-naturais que convencionamos. Nacionalidade, emprego, dinheiro, casamento, religião.

Ser uma história não significa ser menos real. Histórias são nosso elo de ligação. A cola social, o que nos conecta.

Mas histórias são mais poderosas do que a própria realidade, já que elas se sobrepõem a qualquer uma.

Não há poder maior do que entender as histórias, criticar as histórias e, mais sofisticadamente, criar as histórias que desejamos viver.

Por isso, para toda história, fronteira, nacionalidade, emprego, dinheiro, casamento, religião, há um espaço lindo de criação.

Sempre há a possibilidade de desconstrução da história que conhecemos para que a gente crie a história que desejamos.