Todo mundo precisa de estruturas

Precisamos delas para vivermos sensações de segurança, pertencimento, reconhecermos identidade, nos sentirmos aceitos. É aquela base pra gente viver e seguir em frente.

Alguns encontram estrutura na família, no emprego, na religião, numa empresa que empreendeu. Em tudo ao mesmo tempo.

Quanto mais desapegados, críticos e questionadores, mais desajustados nos encontramos nas estruturas tradicionais.

Quanto mais privilegiados, mais possível nos desapegarmos de estruturas prontas e antigas e recorrer a outras. Infelizmente.

Largar tudo, mudar de vida, sabático são coisas de quem está trocando de estrutura. Mas, ainda assim, pode se apegar a outras para isso.

As estruturas que nos ajudam a trucar o sistema e mudar de vida são as que tem nos permitido mais questionamentos, mobilidade, velocidade e efemeridade no trabalho, nas relações, nas comunidades em que vivemos.

Na nossa sociedade, no nosso tempo, as novas estruturas começaram a se tornar mais líquidas, intangíveis, leves como um trabalho freelancer remoto, uma uma conta no Instagram, uma profissão que há pouco tempo não existia.

Mas qualquer nova estrutura é uma estrutura frágil. São simulacros que nos protegem de frustrações, opressões, convívio com o mundo real.

Então o que nos restou? Atalhos para rapidamente estruturarmos a nova vida que buscamos. Cursos, coach, cargos novos, criar signos que significam algum tipo de estrutura.

Todos eles ainda frágeis por que são novos. Dão alguma sensação de adequação, mas não atendem a todas as necessidades humananas.

Precisamos de estruturas. Se questionamos o emprego, precisamos de espiritualidade. Se questionamos a família tradicional, precisamos dos amigos do cohousing. Se questionamos o dinheiro, precisamos de alguma estrutura familiar, por exemplo.

Mas ainda que a gente possa eventualmente entender as regras do jogo, isso não significará que a gente saiba jogar bem.

Todo mundo precisa de estruturas, a questão é  jogar com as que a gente pode e está disposto a lidar, de tal forma que a gente não fique sem chão algum.

E, ainda, quem sabe, se livre da necessidade de ser algo para além do que se é.