O custo da vida

A pequena escolha que prefere dinheiro a recursos naturais é baseada na mesma premissa das grandes decisões que geram o lucro ao custo da vida.

Está cravada em nós uma ideia muito sólida e burra. Essa ideia está embutida na cultura, empregnada na política e passa sem qualquer questionamento pela vida cotidiana.

A ideia de que há uma separação entre o mundo financeiro, abstrato, econômico de um lado e os recursos naturais, a vida concreta, a água, o solo, os minerais, animais e vegetais do outro. E esta, amigos, é uma péssima ideia.

A expressão "recursos naturais", por si só, já reforça essa visão de mundo tosca, frágil e ignorante.

Cá estamos vivendo e crescendo, lá está a natureza, "recurso" para nossa existência e evolução.

O paradigma que nos coloca como seres superiores que exploram os demais é o paradigma que nos destrói.

A ilusão de que precisamos crescer economicamente a qualquer custo para nos livrarmos de toda pobreza e sofrimento é a maior imbecilidade que já conseguimos imaginar.

Não há separação, não há exploração da vida que não custe a vida, não há caminho possível que nos coloque fora dos ciclos naturais.