Crise de subjetividade

É uma crise de subjetividade.

Se não cuidar, a gente perde a capacidade de imaginar, sonhar desajustado, ser utópico. A gente deixa de amar e fica só no raso possível.

Se deixar, a gente se enquadra e para de questionar os porquês, os comos, os quens. Normatiza o que não é normal, este estado velho e doentil.

Se não resistir à normalidade, a gente perde a chance de quebrar as regras com intenção, crítica e gosto. A gente vira boneco facilmente neste mundinho urbano e programado.

Estamos vivendo uma crise de subjetividade. O drama de sermos obedientes demais, incapazes de fugir do ordinário. Estamos presos no que nossas percepções limitadas ainda conseguem lidar.

E assim rejeitamos o incompreensível, o arriscado demais, o louco, o vivo.

E como sai dessa? A gente tem que incluir sensibilidade. Abrir, dar, cultivar e investir neste espaço. A gente precisa de arte, de sensações, de experiências, de não fazer sentido.

Não há vida sem subjetividade.


Semana passada não teve publicação. Poderia dar mil desculpas. Mas a melhor justificativa é que essas coisas acontecem.