Poder e afeto

Parece que a gente, brasileiro, latino-americano, periferia do planeta está condenado.

Estamos fadados a convivência com poderosos que não são capazes de manifestar amor.

Reprimidos, criaram em si imunidade a subjetividades. Sua linguagem é a violência e o culto à morte.

Foi assim que tudo começou e foi assim que perdurou. Chegaram, tomaram de assalto e instalaram um jeito de perceber o próprio povo como inimigo.

Nosso Estado, até hoje, vê sua gente como problema. E não como razão de sua existência.

Se o povo é um problema, precisa ser domado, controlado, silenciado, esterilizado, afastado.

Mas se o poder emana, de fato, do povo, ele deve servir. Servir ao cuidado, a generosidade, a uma matriz de afeto que pode alimentar sonhos e dar esperança.

Enquanto tiver gente no poder que vê sua gente como inimiga, não teremos futuro possível.

Que possamos cultivar uma base sólida de amor incondicional pelas pessoas, com afeto, arte, cultura, evolução e prazer.