Os 20, os 30 e agora

O mundo mudou e dizem que os 30 são os novos 20.

Essa coisa geracional, sei não. Os 30 continuam sendo 30 voltas ao redor do sol.

Mas agora o casamento vem mais tarde, se é que vem.

As famílias são mais diversas e não seguem o roteiro tradicional com papai, mamãe, 2,5 filhos. O que é maravilhoso.

E a gente segue sem saber pra onde vai nossa vida profissional.

Diferentemente das gerações passadas, nosso leque de possibilidades é muito maior e mais incerto.

Menos estabilidade, mais potência. Mais liberdade, menos segurança.

Ainda assim, são 30 anos vividos. E dá pra fazer um monte de coisa nesse tempo.

Chegar aos 30 significa ter mais de uma década de experiência de vida adulta.

Dez anos de tentativas, responsabilidades, frustrações e conquistas.

Não dá pra acreditar que a vida de verdade só começa depois disso.

Entrei em contato com o conceito de "capital de identidade" pelo livro da psicóloga Meg Jay.

É sobre como construimos a nós mesmos ao longo do tempo. E como essa época, dos vinte e poucos aos trinta e poucos, é formidável e importantíssima.

É quando, provavelmente, conhecemos boa parte das pessoas mais importantes da nossa vida.

É quando desenvolvemos habilidades profissionais que nos acompanharão por muito tempo, mesmo que a gente mude de área inúmeras vezes.

É quando vivemos emoções diversas, que nos fazem amadurecer e assumir responsabilidades.

Nos meus 20, estava me arriscando na presidência do Centro Acadêmico do curso de Design da UFSC.

Aos 30, embarcava para uma vida como nômade digital na Tailândia, que acabou durando 3 meses.

No meio disso, comecei e quebrei a cara no mercado de trabalho para qual fui forjado.

Iniciei e terminei relacionamentos que um dia pareceram eternos. 

Me mudei para cidades novas até que ficassem velhas para mim.

Fundei e fechei negócios que me trouxeram impagáveis aprendizados.

Foi uma aventura e tanto. Teve muita dúvida, decepções, trabalhos e decisões que pareciam que não iam dar em nada. E a eterna pergunta: "o que estou fazendo da minha vida?"

Mas, de alguma forma, aconteceu. A cada passo inseguro que me distanciava do caminho tradicional, outras trilhas foram se abrindo.

E, agora, com 34, parece que os frutos das árvores plantadas há anos e anos atrás começam a amadurecer.

Foi completamente imprevisível, eu nunca poderia imaginar o ponto em que chegamos.

Tem aquela frase do Rubem Alves que adoro, "Cheguei onde cheguei por que tudo que planejei deu errado".

Enquanto estava esculpindo e polindo meu capital de identidade, sempre me pareceu que era o melhor que poderia fazer pelo  momento presente.

Os planos deram errado, mas funcionaram. 

Parece que o melhor que podemos fazer pelo nosso futuro é viver um presente pleno, ousado, cheio de energia.

A vida não começa nos 20, nem 30. A vida começa agora.