O que aprendi sobre aprender

Demorei, mas aprendi que educação formal não é pra mim. Durante muito tempo, foi a única opção possível. Fui obrigado, acreditei, insisti e joguei o jogo. Mas depois que pude aprender de outras formas, a educação formal ficou lenta, burocrática e cara. Ainda assim, não é simples construir os próprios caminhos, exige disciplina, responsabilidade, disponibilidade, tempo.

Aprender não é linear.

O sistema formal nos faz pensar que há uma única sequência lógica para aprender. Mas não é assim que a banda toca, não é assim que nosso corpo evoluiu e não é assim que o mundo se aprensenta pra gente. Tudo é muito mais caótico, diverso e não-sequencial do que as séries da escola.

Aprender é sobre fazer.

O que a gente vive, experimenta, registra um aprendizado no corpo. Um dos maiores problemas da educação formal é que a gente memoriza, é testado, mas não aplica. Passa o tempo e esquecemos. A verdade é que nunca aprendemos, só decoramos. Mas, ao fazer, a coisa muda. Quando a gente transforma conhecimento em reflexão e ação é que a aprendizagem se dá.

Aprender é sentir.

Excluímos os processos emocionais dos processos de aprendizagem formais. Mas não conseguiremos jamais excluir de nós mesmos. Somos humanos, sofremos, sentimos, nos emocionamos. Não há sentido se não há sentimento.

Não se aprende nada sozinho.

Autodidatismo não é sobre solidão. Aprendizagem é sobre troca. A gente sempre se apoia em outras pessoas, que construíram aprendizados assim como nós, para fazermos nossa jornada. Além disso, é sempre rico ter referências, mentoras, mestres, ainda que diversos, distantes e passageiros. Em grupo, aprendemos muito mais.

Organizar para aprender.

A informação tá toda aí. As pessoas. Os vídeos no YouTube. O problema é organizar, saber por onde começar, identificar material de qualidade e saber pra onde ir depois. O que os cursos nos vendem raramente é o conteúdo, mas uma organização por fases, módulos, começo, meio e fim. O que é mais caro, ao aprender, é o fio condutor. E pra não perder o fio da meada, a gente tem que saber organizar, classificar, anotar, rever, sistematizar e estruturar.

Aprender a aprender.

A educação formal pressupõe que todos aprendemos da mesma forma. Mas não há ninguém igualzinho a você, neste mundo. Por isso, é tão importante descobrir qual é o teu próprio processo. Tem gente que prefere ouvir, tem gente que prefere ver. Aprender trabalhando, ouvindo música, copiando, tentado e errando. Há tantas formas quanto pessoas na Terra.

Compartilhar é aprender.

Nenhum processo me é tão rico quanto compartilhar aprendizados. Aquilo que estou aprendendo só vira aprendizado mesmo quando consigo compartilhar, escrever, distribuir.

Profundidade requer tempo.

Muito tempo, disciplina, insistência. A grande vantagem da academia é a profundidade, o sistema, a ciência. Para quem está fora desses limites, é necessário redobrar o cuidado para conseguir mergulhar e não ficar só na superfície.