A origem de toda a treta

Quando os primeiros europeus aqui chegaram, os povos nativos os entenderam como mais uma tribo diferente para conviver, em meio a tantas outras. Não começou com treta.

Tinha pra todo mundo. Espaço, comida, água, terra fértil, amor. Tudo que fosse necessário a vida estava disponível.

Aquelas pessoas viviam a experiência da vida abundante. O que elimina qualquer necessidade de competição. E, por isso, a prática normal é incluir a todos, tolerar, aceitar, acolher.

Pros portugueses, não. A vida era dura na Europa. Os que aqui chegaram toparam arriscar suas vidas, deixaram tudo pra trás e se lançaram pelo desconhecido.

Foi preciso catequizar, exterminar, tomar pra si e estuprar. O moto era extrair tudo que fosse possível e tirar vantagem.

Aquelas pessoas viviam a experiência da vida escassa. O que gera a necessidade de competir. E, por isso, a prática normal é dominar, roubar, proteger os seus e excluir todos os outros.

Este comportamento segue entre nós, centenas de anos depois de Cabral.

E nem precisa estar associado a escassez ou abundância reais.

Mesmo os mais abastados financeiramente enxergam o mundo pela lente da escassez.

Mesmo que tenham quase tudo que é necessário a vida, vivem orientados a reservar o seu, estocar, competir e, o mais dolorido, excluindo os que não são do seu clã.

A ascensão dos intolerantes que vivemos reflete a incapacidade que temos de enxergar o mundo pela lente da abundância. Reflete a escassez virtual de recursos e a escassez real de amor, conexão, empatia, escuta, afeto 

Pra Paulo Freire só há duas bases ideológicas, inclusiva ou exclusiva.

O primeiro capítulo da série documental Guerras do Brasil me fez perceber que a exclusão nasce da visão de escassez. Ela que aqui está presente firmemente desde 1500.

O único caminho que destitui a tríade escassez/exclusão/morte é o investimento sem freio em abundância/inclusão/amor.

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